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Abanar a rotina por dentro

  • Foto do escritor: Clara B
    Clara B
  • 25 de fev. de 2022
  • 1 min de leitura

Existe algo de despretensioso quando se chega num lugar. Uma despretensão que já constrói por si só alguma coisa. quando essa despretensão consegue estar atenta nela própria, alí já está a aula, a performance, a dança.


chego na sala, mas estou descalça. a música já toca de dentro do saco, os fones de ouvido ainda estão no pescoço. Me dispo, poiso a mochila, posiciono o saco com a coluna de som, confiro o telemóvel…. tudo pode ser cotidiano. e é… mas é alí no cotidiano que a dança aparece.


nos olhamos confirmamos se estamos preparados e vamos embora. a dança nasce mais aparente no meu corpo, mas ela já está ali, bem antes de eu chegar. terça feira é dia da dança. já está no ar. já está nos sapatos que foram tirados. na rotina que estrutura o corpo no dia a dia. no sentar na parede e esperar que a clara chegue.


em algum lugar isso me incomoda profundamente, mas reconheço com a mesma profundidade do incómodo a importância da estrutura.


como construir a estrutura, a rotina, a repetição e mesmo assim abrir espaço por dentro para que a cor do dia possa interferir e atravessar a construção.


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